Confições: Amadurecimento teológico

Não. A despeito do título desta postagem, ainda não estou teologicamente maduro. Fiz questão de começar este texto com o mesmo e sonoro não do post anterior pelo simples fato de que o não nos assusta. ‘Não’, não é um bom atrativo para leitores, todavia, é uma palavra por deveras necessária.

Fui convertido pelo Senhor em um retiro de jovens, dentro da Igreja Luterana e pouco tempo depois, submetido a ‘confirmação’ onde reafirmava o ‘batismo’ infante realizado por meus pais, naquela mesma denominação e também minha fé em Jesus. Logo depois, ainda na mesma denominação, minha teologia fetal sofreu drásticas mudanças. Frequentava agora duas igrejas. Aos sábados na luterana e aos domingos na Assembleia. Tornei-me um pentecostal clássico, mas andei na direção do legalismo. Se por um lado não cria mais no batismo de bebês, também dificilmente atravessaria a rua a não ser por uma faixa de pedestres e quando diferente disso fazia, sentia-me por demais culpado. Você não me veria num carro com mais de 5 pessoas ou na carroceria de um caminhão. Ensinaram-me que copiar CD’s esta pecado. Então perguntei como faria para ouvir louvores, já que não tinha dinheiro para comprar CD’s originais e obtive como resposta: “Não tem problema. Eu te empresto os meus CD’s e daí você copia para fitas. Não é pecado copiar para fitas, desde que o cantor tenha gravado apenas em CD”. Assim, agora ‘estava tudo resolvido’ rsrrsrrs.

Cheguei ao ponto de enviar uma carta ao pastor exigindo que usasse a ‘Bíblia da igreja’ nos cultos e não a sua própria. E em certa reunião, quando decidíamos sobre em que casa o pastor iria morar, disse uma das maiores asneiras de minha vida: “Deve morar naquela casa pequena, para Deus trabalhar humildade com ele”. Acho que se hoje eu fosse pastor de um cara como ‘eu adolescente’, seria tentado a dar um soco no narigão! Afinal, a casa que eu me referi, era um cubículo! Não estávamos mais na luterana, e o pastor havia aceitado ganhar metade do salário para nos pastorear. E o guri Sidinei queria lhe ensinar humildade...

Em seguida, virei neo-pentecostal. Passei a acreditar em tudo. Fiquei ‘amigo’ da Rebecca e passei até a acreditar em lobisomem. ‘Quebrei’ todas as ‘maldições’ que vinham de meus antepassados e pedi ‘perdão’ pelos pecados deles.

Em seguida veio uma fase muito boa, tive um insight ao ler Spurgeon e isso marcou minha vida. Nessa época, o Senhor já tinha me dito “Eu te escolhi para ser pregador do Evangelho”. E já tinha visto o homem (anjo ou Cristo, não sei) umas duas vezes. Minha fé estava em um período lindo de paixão e fogo. Tempo maravilhosos onde só me importava o que o Senhor pensava a meu respeito.

Em seguida vieram dias terríveis, onde a luz da palavra fez-me ver meus pecados e pedi por algumas vezes para o Senhor me matar, pois não suportava a dor da culpa. Melhorei um pouco, mas os dias de Spurgeon não voltaram.

Comecei o curso teológico, e tentaram me enfiar a teologia liberal guela abaixo. Resisti. Tentaram a teologia da libertação, peguei o que era bom, fiquei com a pulga atrás da orelha, mas devolvi o resto. E só depois, conheci a teologia evangelical, mais especificamente e claramente, a Missão Integral. E no meio disso tudo, o Pr. Luciano Gazola ‘reformando’ minhas crenças. Ele sabe que não concordo com tudo que me ensinou, mas tenho que admitir que no mínimo metade de meu posicionamento teológico aprendi com ele.

Hoje, não acredito mais em lobisomem, nem que Deus deseja que seus filhos sejam todos ricos (esqueci de mencionar minha fase de ‘Murdokinho’ e ainda antes de ‘Benynho’). Hoje, não estou maduro ainda, mas já aprendi que para muitas coisas temos que aprender a dizer não e ficar atentos aos modismos, pois muitas vezes provém de Satanás. Não sou um discípulo de Lutero e Spener, mas creio que faltam muitas lágrimas à nossa geração, que “uma igreja reformada precisa estar sempre em reforma”... É isso. Não é nenhum texto brilhante, apenas algumas confissões para meus amados leitores saberem quem é o cara que escreve por amor a eles.

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