Jesus nos entende! Bartimeu.

Texto Base Mc 10.46-52

I- O Comércio do Inferno

Jesus tinha acabado de explicar para seus discípulos que o Seu Reino era diferente. Tiago e João demonstraram o desejo de sentar à direita e esquerda de Jesus (Mc 10.35-45). O detalhe, é que eles chegam a Jesus dizendo que desejam pedir algo e Jesus interroga: “Que quereis que vos faça?” (Mc 10.36). Eles acabam sendo muito infelizes em sua pergunta e os outros discípulos também em sua reação. Pois ficaram indignados (Mc 10.41), muito provavelmente porque eles mesmos almejavam tão posição ao lado de Jesus. Eles não tinham entendido nada de Reino.

Jesus explica novamente, e partem para Jericó. Quando saíam, seguiam-nos os discípulos e também uma grande multidão. Era o ápice de sua popularidade, logo entraria em Jerusalém pela última vez. Existia uma grande diferença entre os dois grupos principais que seguiam Jesus, entre os discípulos e a multidão. Pelo episódio anterior, a impressão que temos é que de fato não existia diferença nenhuma entre os grupos, os discípulos também eram egoístas, interesseiros e não entendiam nada de Reino de Deus. Assim como as multidões que seguiam Jesus pelo que Ele podia fazer, ou seja, suas curas, milagres e libertações. Os doze além de tudo isso esperavam seu reino (político) libertador sobre Israel. Nesse sentido, tanto um grupo como o outro descrevem bem a realidade dos seguidores de Jesus de nossos dias.

Os que seguem Jesus por interesse, que apenas participam de campanha disso e campanha daquilo... Que são os caçadores de bênção que vivem de conferência em conferencia, de igreja em igreja e se o milagre não acontece então a mensagem foi ruim... Deixe-me abrir um parêntese. Em primeiro lugar, o maior milagre que precisa acontecer, é que o Espírito Santo abra nossos corações e nos faça entender que somos pecadores e necessitados do perdão pelo sangue de Jesus e este milagre, ele deseja realizar em todos.

Porque somos também parecidos com os discípulos? Porque também somos a geração da pluralidade de títulos religiosos, autoridades, de ‘neo-relíquias’ e tudo mais que você possa imaginar. É apóstolo para todos os lados, missionário, pastor, evangelista, presbítero, todos querem um título! Hoje isso dá status, e quem não pode ser o apóstolo da moda, pelo menos tenta receber a benção dele, ou comprar alguma relíquia por ele benzida! Estamos fazendo pior do que os discípulos tentaram fazer! Confundindo o Reino de Deus com as coisas desde mundo. Eis ai uma grande diferença.

Reino de Deus é sim justiça, paz, segurança, prosperidade. Mas do jeito de Deus! Não do jeito humano. Do jeito humano, seria uns detendo o poder para dar subsistência aos outros. Do jeito de Deus é poder em serviço, é autoridade em sacrifício! As multidões e os discípulos, do passado e do presente, na maioria das vezes, têm seguindo mais o padrão de Satanás do que o de Jesus. Jesus é Rei, Satanás é comerciante (Ez 28.11-16ss)! Os discípulos queriam seguir Jesus e em troca receber destaque, glórias! As multidões queriam exaltar Jesus e receber curas, milagres.

Não é isso que a Igreja tem feito? Porque muitos sobem ao monte para orar? Para ficar isolado? Para ter liberdade? Não! No seu íntimo é porque creem que Deus vai olhar para seu sacrifício, para seu esforço de ir até ali e vai derramar de Sua Glória! E o diabo bate palmas, porque os crentes querem trazer o comércio dos infernos para dentro da Igreja. Não estou dizendo que o comércio em si é pecado. Existem comerciantes nas igrejas que são uma bênção. Estou falando que o sistema comercial de Satanás tem entrado na Igreja.

Multidões e discípulos, nesse quesito estavam iguaizinhos, barganhando com o Messias. Mas existia alguma diferença? Sim, uma grande diferença: Os discípulos estavam perto de Jesus! Seguiam Jesus, comiam com ele, dormiam perto dele, ouviam-no todo tempo... Em suma, era um grande campo onde Jesus lançava e regava constantemente as sementes de seu amor, ensino e de seu testemunho. A grande diferença é que multidões assistem e discípulos participam. Multidões vivem de momentos e discípulos convivem em todo o tempo! Multidões exigem, discípulos se relacionam com o Mestre. As multidões o seguiriam enquanto estivesse sendo ovacionado, discípulos seguem em qualquer situação. Mas sabemos a história, os discípulos, não o foram de fato na hora da cruz! E nós seríamos? Mas depois, de ver o Cristo ressurreto, eles foram fieis até o fim, a maioria, até o martírio. Multidões não tem rosto, não tem nome. Discípulos se chamam Pedro, João...

II- Filho de Timeu.

Era comum naqueles dias, que fora da proteção dos muros das cidades, à caminho de Jerusalém, ficassem os cegos pedindo esmolas. Não bastasse ser cego, era mendigo e estava fora da proteção de uma cidade. Tinha ele amigos? Dificilmente, apenas era parte do cenário, como um arbusto pelo qual todos passavam. Alguns querendo impressionar as pessoas, ou Deus, atiravam algumas moedas. Quem era esse Bartimeu? Ninguém. Bartimeu simplesmente significa ‘filho de Timeu’. Isso não é nome, isso é uma mera designação. ‘Onde está aquele cego do caminho? Que cego? O filho de Timeu’! Aquele homem não tinha mais identidade. Quem foi Timeu? Não muito importante, pois não sabemos nada mais sobre ele. Também não um completo desconhecido, pois sabiam que aquele era seu filho. Será que abandonara o filho cego? Ou já era falecido? O que sabemos, é que seu filho, era um cego sem identidade própria, cujo único respingo de identidade era a ligação com seu pai. Pior que ser apenas mais um na multidão, é estar à margem da multidão. Multidões buscam ‘veículos’ para a felicidade. Estar à margem da multidão é não ter o mínimo do que pensa ser necessário para ser feliz.

Por mais que a multidão fosse comerciante, existia uma unidade, uma identificação e uma significância. Por mais que o sistema comercial de barganha fosse maligno, ainda era melhor que estar à margem de tudo e de todos, e não saber nem mesmo quem é. Pior que ser apenas um rosto na multidão é não ter rosto. Bartimeu, o homem sem rosto, sem identidade. Não enxergava o mundo a sua volta, mas o mundo também não o enxergava! Nem mesmo a religião tinha resposta para Bartimeu, porque religiões só têm respostas dentro do seu quadrado, onde suas ‘formulas mágicas’ funcionam. O que você faz quando religião não tem respostas?

Que tipo de relação um homem como esse poderia ter com Deus? Ele estava próximo ao maior centro religioso do Judaísmo. Ele ouvia as pessoas comentando a respeito de Jesus e agora um barulho enorme de multidões clamando por Jesus de Nazaré.

Meu amado, você não é o que os outros dizem que você é e nem um mero produto do meio. Você é a soma do propósito de Deus para sua vida com as decisões que você toma! Por mais que o meio influencie e muito, em última instancia, a vida que você leva é decisão sua. No juízo, Deus não vai olhar até que ponto você chegou, mas a distancia que você percorreu desde o ponto em que saiu.

III- Filho de Davi. Mc 10.47

O Filho de Timeu já ouvira falar sobre Deus, e com certeza não foi pouco. Como todo judeu, ele sabia que viria o Messias, da descendência de Davi. Quando escuta falar que Jesus está perto, quando ouve o alarido da multidão... ‘Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim’.

Quem era o cego? Filho de Timeu. Quem era Jesus? Filho de Davi. Ele encontra algo em comum entre ele e o Messias. Enquanto a religião lhe ditava regras, lhe fazia pensar que Deus o odiava, Jesus se relacionava! A vida inteira ele foi reconhecido simplesmente como filho de Timeu e agora chama o Messias de Filho de Davi. A questão não é mais quem sou, para que estou aqui, de onde vim e para onde vou... A questão é que agora o Salvador se identifica comigo, Ele é Filho de Davi, Filho de Deus. Ele também é conhecido pelo nome de seu ‘antepassado’. Eu não sou o único chamado de filho, Ele também é!

Por que motivo mais gritava ‘Filho de Davi’? Para mostrar a Jesus que era um conhecedor das profecias? Por que foi a primeira coisa que lhe veio na cabeça? Talvez sim, talvez porque Davi foi um rei justo, e aquele homem desejasse um favor real-divino. O Filho de Davi era o único que poderia mudar a historia de sua vida. Se Jesus falhasse, nada mais teria sentido. Sorte dele que Jesus não falha!

A multidão mandava se calar, mas ele não se importava mais com nada, aquele era o grito de desespero do profundo de sua alma, aqueles gritos exprimiam toda a dor, todo o choro, toda raiva, toda esperança... Traduziam a existência de um homem que nunca soube o que era, quem era, e talvez tivesse apenas vaga lembrança do que existia ao seu redor. Até aquele momento sua vida fora um pior do que nada, fora um poço de sofrimento. Aqueles gritos chegam ao coração de Jesus, que começa a pulsar mais forte! Os discípulos almejando honras, as multidões o comprimindo, nada disso emocionou tanto, nada disso atraiu tanto a atenção de Jesus como o grito desesperado de Bartimeu. Um homem em busca de sentido, sedento...

Jesus o chama! Jesus para tudo que estava fazendo, Jesus talvez não pudesse ver o homem por causa das multidões, mas podia ouvi-lo. “Parem tudo, tragam esse homem!” As pessoas chamam Bartimeu. ‘Oh ceguinho, Filho de Timeu, você deu sorte grande. O Mestre resolveu curar alguém e escolheu você!’ Se falaram isso, não era verdade. Jesus não recolheu Bartimeu como uma amostra randômica da multidão. Jesus foi de encontro àquela alma sedenta, que clamava por Ele.

Bartimeu não tinha nada a perder. Atira tudo para o alto. Se roubassem sua capa, se o chutassem, ele não ligava mais pra nada. Dá um pulo, sai do anonimato, sai da sombra, vai de encontro ao único que poderia lhe dar uma identidade, um sentido, o único que o poderia livrar de ser um morto-vivo e lhe dar vida de verdade!

Ele se põe diante do Mestre, e o Senhor olha em seus olhos. Bartimeu não diz nada. Anos e anos abandonado, anos e anos esquecido. Marginalizado, abandonado... E agora o criador de todas as coisas estava diante dele! Quantas vezes Bartimeu pensara que Deus era injusto? Quantas vezes passou pela cabeça de Bartimeu que Deus não o amava? E agora estava diante de Deus.

Jesus simplesmente, lhe faz a mesma pergunta que a pouco fizera aos seus discípulos. “Que queres que eu te faça”? Os discípulos queriam ser governantes, as multidões queriam ser libertas do jugo romano. O que o cego queria? Queria ver! Mas não simplesmente enxergar tudo ao seu redor, queria ver o rosto daquele que pela primeira vez lhe dirigia a palavra com tanto amor. Daquele que pela primeira vez faz milhares de pessoas silenciarem simplesmente porque lhe chama! Queria ver o rosto desse messias que se identificava com ele, que era conhecido como Filho de alguém. Bartimeu sabia o que queria. Mais que enxergar, olhar nos olhos de Jesus era única esperança por toda sua eternidade. Provavelmente ele cria que a cegueira era um castigo de Deus por algum pecado seu ou de seus antepassados (Jo 9.2), e por isso, se Deus lhe restaurasse a vista, significava que estava perdoado! “Mestre, que eu torne a ver”!

“Vai, a tua fé te salvou”. Jesus entendeu o que ele queria. Jesus sabia que no fundo quando Bartimeu pedia a cura, queria o perdão e por isso responde, ‘a tua fé te salvou’. O que estava em questão não era a visão, as a eternidade de Bartimeu, que mesmo cego, enxergava mais do que a maioria ali, enxergava Jesus como o único que podia liberar perdão!

Jesus não o perdoou, salvou e curou por nada, ele o mandou ir! Vai! Para onde? Por quê? Se Bartimeu não descobriu na hora, depois descobriu: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” Mc 16.15. Jesus chamou Bartimeu para ser uma testemunha viva do Cristo que é o único que pode nos dar um verdadeiro sentido de existência, o Deus Verdadeiro que se tornou homem e se identificou conosco. Que vai de encontro a alma sedenta.

2 comentários:

Discipulos disse...

filho de timeu, em quem foi timeu,Timeu foi um General que servia a Israel no destacamento de Betel e que ao aposentar-se se tornou um bem sucedido na região. Quando o domínio do Império Romano aconteceu seus bens foram confiscados, o soldo da aposentadoria cortado. Tornou-se um revoltoso. Liderou várias sedições e que se moviam na direção de desestabilizar o governo romano na região. Identificado pelo império Romano como uma pessoa perigosa aos seus objetivos, Timeu foi perseguido, preso e morto crucificado por causa das suas sedições. Mandaram arrancar os olhos de Bartimeu após a morte de seu pai para evitar que se tornasse um revoltoso ainda mais perigoso do que foi seu pai. .

Discipulos disse...

filho de timeu, em quem foi timeu,Timeu foi um General que servia a Israel no destacamento de Betel e que ao aposentar-se se tornou um bem sucedido na região. Quando o domínio do Império Romano aconteceu seus bens foram confiscados, o soldo da aposentadoria cortado. Tornou-se um revoltoso. Liderou várias sedições e que se moviam na direção de desestabilizar o governo romano na região. Identificado pelo império Romano como uma pessoa perigosa aos seus objetivos, Timeu foi perseguido, preso e morto crucificado por causa das suas sedições. Mandaram arrancar os olhos de Bartimeu após a morte de seu pai para evitar que se tornasse um revoltoso ainda mais perigoso do que foi seu pai. .

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