Agentes do Reino



Salmo 34.12-15. “12 Quem de vocês quer amar a vida e deseja ver dias felizes? 13 Guarde a sua língua do mal e os seus lábios da falsidade. 14 Afaste-se do mal e faça o bem; busque a paz com perseverança. 15 Os olhos do SENHOR voltam-se para os justos e os seus ouvidos estão atentos ao seu grito de socorro”.

       Talvez você que está lendo este artigo muitas vezes já despertou com o desejo de nem sair do quarto. É uma sensação horrível! Muito melhores são os dias em que acordamos com vontade de desbravar o mundo! Os dias em que parece que existe uma força dentro de nós que grita por ação, por emoção e nos rejubilamos de alegria! O Salmista nos pergunta: “Quem de vocês quer amar a vida e deseja ver dias felizes”? Ora, todos nós queremos! Todos nós queremos ser tão apaixonados pela vida que acordemos cada dia mais felizes e animados que o anterior! Todos queremos viver intensamente a vida, e isso só é possível se formos apaixonados pela existência, até porque, “uma vez que existimos a inexistência é uma impossibilidade”[1]...
       Agora a revelação aqui é impressionante. Aquele que quer ser um amante da vida precisa “guardar a língua do mal e os lábios da falsidade”! Ora, aquele que guarda a língua, guardou antes o coração (Tg 1.16)! Não devemos simplesmente parar de falar com dolo para não prejudicar outrem e também não somente porque é pecado. Precisamos ser “bons” porque somente aqueles que enchem seu coração de bondade e refreiam sua língua do mal conseguem ter amor pela existência. E se não temos amor pela existência, não temos amor a Deus, porque tudo que existe, nele subsiste (Cl 1.17). Logo, quando somos apaixonados pela vida, no sentido de levar a sério o existir, de viver intensamente e fazer valer a pena a existência, estamos dizendo a Deus: “Senhor, valeu a pena! O que o Senhor fez é muito bom (Gn 1.31)!”. E ao entrarmos em concordância com o criador de todas as coisas, nos alinhamos com o canal de seu favor, e as bênção que ele já tem derramado, podem chegar até nós! Mas essa paixão pelo ‘ser’ só surge no coração daqueles que se afastam do mau, logo, o mau é o que existe de mais próximo da inexistência. E a inexistência é uma negação da criação de Deus, que só o é em tese, pois o que não existe nada pode confrontar...
       Mas o afastar-se do mal é apenas meio caminho, é preciso fazer o bem! Fazer o bem é o princípio da existência, pois se Deus nos fez, e nos fez bem feitos, nos fez para algo e esse algo, seja o que for, é bom! Não existe como agradar há Deus sem fazer o bem. Não há como amar a existência e ficar passivo a ela! Amor evoca interação, e a interação dos apaixonados pela vida e pelo Deus da Vida é o bem (Tg 4.17)!
       Em seguida, aparece o tema do AT, Justiça. Diz que devemos buscar a paz com perseverança, e completa dizendo que os olhos do Senhor voltam-se para os justos. Por quê? Porque não existe paz sem justiça!
       Se dissermos “venha o teu Reino”, temos que entender que um dos princípios que regem um reino é a justiça! É o código de justiça daquele reino. Não tem como trazermos o Reino de Deus para nosso meio se não trouxermos a Justiça do Reino! Não existe como viver na “Paz do Senhor” que usamos até como saudação se antes não tivermos justiça. Em nenhum reino da história a paz veio sem justiça, como que de forma mágica, e nem virá no Reino de Deus. Jesus é um justiceiro (2Co 5.21)!
       Não haverá paixão pela vida e paz em uma igreja onde as diferenças sociais, e pior, a indiferença em relação ao próximo seja tão gritante! Não haverá paz em um mundo de juros, lucros abusivos e desperdício! Não haverá paz em um mundo onde uns tem tempo e dinheiro para futilidades enquanto outros morrem de fome! E se não tem bem, não existe paixão pela existência. E sem paixão não existe justiça e sem justiça não existe paz e sem paz não existe bem!
       Ou levamos a sério o Cristianismo como um todo indivisível e trabalhamos pela Justiça de Deus ou viveremos na miséria, às portas do Reino de Deus! Olhando para o lado de dentro do muro, como quem espia por um furo na parede, esperando que Jesus volte para que entremos em Seu Reino. Eu prefiro que o Reino venha, já antes de Jesus voltar, porque foi o que Ele ensinou na oração do Pai Nosso. Em Gn 28.12-16 vemos o sonho de Jacó. E nesse sonho aparece uma escada que vai ao céu. Os anjos sobem e descem por ela, mas o Senhor não! O Senhor estava com Jacó, na terra (v. 16). Eu te desafio a ser um agente de Implantação do Reino de Deus na Terra. Um apaixonado pela vida, que faz o bem em Justiça. Você topa? Que Deus nos abençoe.


[1] Ariovaldo Ramos.

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